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Garantir a segurança do trabalho do gari também é tarefa da sociedade

Garantir a segurança do trabalho do gari também é tarefa da sociedade

10/05/16

O dia 16 de maio é a data que se comemora o Dia do Gari, profissional que tem um papel fundamental para o bem-estar da população porque impede que o lixo se acumule nas ruas e nos bueiros, evitando as enchentes e a proliferação de bichos e doenças.

Os materiais de trabalho dos garis não se resumem em vassoura, pá e carrinho de lixo. De acordo com o superintendente operacional da Ecofor Ambiental (concessionária da Prefeitura Municipal de Fortaleza responsável pela Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos), João Júlio Sombra, é de extrema importância o uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

“O uniforme da empresa é essencial, por ser feito com tecido especial para a função, assim como o uso de um calçado específico, dos meiões e das luvas. O conjunto contribui para reduzir os riscos de infecção ainda ressaltou que os garis são supervisionados por técnicos em Segurança do Trabalho, que os orientam e ensinam o modo correto de prevenir acidentes, usando os EPI. De acordo com ele, as orientações são bem recebidas pelos funcionários que, na maioria das vezes, seguem a risca cada concelho. “Os técnicos orientam os coletores como proceder na hora de recolher o lixo, em especial os perfuro-cortantes. É uma maneira de garantir a saúde deles”, enfatizou.

Além dos equipamentos, esses acidentes podem ser evitados com a conscientização da população. É o que ressalta Everton Melo, gari há três anos, ele já sofreu alguns cortes nas pernas devidos o mau condicionamento do resíduo. “As pessoas podem facilitar o nosso trabalho, embalar os objetos cortantes, reforça a sacola para que não rasgue na hora que a gente tira o lixo da rua, são pequenas atitudes que facilita nosso dia a dia e evita algum acidente”, apontou.

 

Orgulho
O trabalhador de 26 anos, afirma sentir orgulho da sua profissão e lembra o quanto é importante seu serviço para a cidade. “O lixo é fonte de bactérias e de doenças se não recolhido, então imagina como ficaria a cidade se deixarmos de fazer a coleta apenas por um dia? Acho que a sociedade iria sentir nossa falta, não é mesmo? Então, sei da importância que tenho para cidade, mesmo, muitas vezes, não sento reconhecido”, afirmou.

O trabalho que o coletor realiza contribui para o asseio das ruas, o combate às pragas urbanas, que aumentariam sem a coleta dos resíduos e a manutenção do meio ambiente. No entanto, apesar de ser fundamental a profissão ainda sofre muita discriminação, passando, muitas vezes, despercebidas nas portas das casas da cidade.
“A discriminação já diminuiu muito, mas não é difícil sermos chamado de lixeiro, das pessoas virarem a cara quando estamos passando, são pequenas atitudes que ofende, apesar de já estarmos acostumado”, lamentou.

De acordo com dados do Sindicato dos Empregados em Empresa de Asseio e Conservação e Administração de Imóveis Comerciais, Residenciais, Flats, Imobiliária e Limpeza Pública do Estado do Ceará (SEEACONCE), Fortaleza possue em torno de dois mil garis trabalhando ativamente na limpeza da cidade.

 

Resíduos
Segundo a Prefeitura, Fortaleza passou a produzir 595.574 toneladas de resíduos domiciliar em 2014, quando em 2011 gerava 443.932 toneladas. Diariamente, cada pessoa produz 1,89 quilos de lixo na capital cearense, número superior ao produzido por alguém no Rio de Janeiro (1,61) e equivalente a uma pessoa em Nova Iorque. Por dia, os fortalezenses produzem uma média de cinco toneladas de lixo.

 

Educação
De acordo com o diretor social do SEEACONCE, Amadeus Oliveira Paixão, a associação vem realizando diversas ações com a intenção de mostrar a população a importância do gari. “Nós procuramos dialogar com a sociedade para mostrar a importância desse trabalho, além disso, realizamos panfletagem, colocando para a sociedade o quanto a profissão é fundamental”, informou.
A Ecofor informou que na área de educação ambiental, a empresa mantém o programa Ecocidadão que promove atitudes conscientes para a preservação do meio ambiente em comunidades carentes com necessidade de diminuir a quantidade de pontos de lixo solto. As ações implantadas contribuem para o desenvolvimento socioambiental e a melhora na qualidade de vida da população.
Desde o início do programa, em 2005, a Ecofor registrou, nos bairros onde o projeto é realizado, uma redução de mais de 70% dos resíduos dispostos de forma inadequada. Uma equipe de educadores ambientais que expõem conceitos básicos de higiene e informam como tratar corretamente o lixo. E assim, formam líderes comunitários e alunos das escolas tornam-se agentes multiplicadores que estimulam atitudes responsáveis para a preservação ambiental.

 

Cuidados com o lixo doméstico

Lâmpadas, copos, louças e embalagens de vidro podem não parecer perigosos, mas são um risco em potencial, já que podem quebrar com o manuseio. E para não machucar o coletor, a Ecofor aconselha a procurar um material mais rígido para o acondicionamento desses matérias, como jornal, papelão, latas, garrafas pet ou mesmo embalagens de leite. Os cacos de vidro podem ser embalados dentro de latinhas de leite em pó ou achocolatado.
Materiais perfurantes como pregos, parafusos, arames e, até mesmo, as lascas de madeiras, devem ser colocados em latas, embalagens plásticas ou embrulhados em grandes volumes de jornal. Quanto aos pregos e parafusos, é interessante entortá-los com martelo, sempre que possível. A tampa serrilhada da lata de conserva também pode machucar e a recomendação é dobrá-la para dentro, pois assim a serrilha estará protegida pela própria lata. E por fim, caso o volume do lixo seja excessivo ou muito pesado, deve-se utilizar dois sacos para acondicioná-lo.

 

CURIOSIDADE
Você sabia que a profissão de gari surgiu no Rio de Janeiro? Tudo aconteceu quando um empresário francês chamado Aleixo Gary assinou contrato com o governo para organizar o serviço de limpeza das ruas e praias da cidade. O nome gari é justamente uma referência ao francês. Aleixo assinou contrato em 11 de outubro de 1876 com o Ministério Imperial para organizar o serviço de limpeza do Rio de Janeiro e permaneceu no cargo até o vencimento do contrato, em 1891, quando foi criada a Superintendência de Limpeza Pública e Particular da Cidade.

Fonte: http://www.oestadoce.com.br/cadernos/oev/garantir-a-seguranca-do-trabalho-do-gari-tambem-e-tarefa-da-sociedade